novos tempos culturais

uns anos atrás, por causa de um texto de opinião que publiquei num jornal local, onde dizia que se não fosse a câmara a fazer e a promover não havia actividade cultural em Guimarães fui ‘decapitado’ na praça pública. Infelizmente, não só já era uma amarga realidade como com o passar dos tempos a situação das associações culturais se agravou. Por falta de dinheiro e de dirigentes. E, por causa disso, as realizações culturais quase desapareceram ou se não desapareceram mudaram de filosofia, pelo facto de os seus novos dinamizadores passarem a vir do lado do poder politico, ainda que em parcerias com privados, mormente empresas de alguma dimensão.

Hoje, apesar de continuar a ser verdade que a câmara municipal de Guimarães – ou melhor a Oficina (Vila Flor) e a Tempo Livre –, continuar a ser o motor cultural e executor do concelho, há alguns sinais muito animadores a surgirem das associações culturais. Há novos e mais motivados dirigentes e há uma ’fome’ diferente de novidade, mormente ao nível da promoção musical, e nota-se o regresso animado das tertúlias. Isto é, há, efectivamente, uma nova dinâmica associativa. Vale, por isso, a pena estar atento ao que vai surgindo.

Quem já percebeu esta nova realidade (e ainda está a instalar-se!) foi a FNAC. Já fez imensas parcerias com as colectividades vimaranenses. O que é bom, mas exige atenção e maior dedicação associativa. Resta à nova leva de dirigentes associativos estar atento aos novos tempos para não se deixarem ultrapassar.

dados preocupantes

Numa edição onde era dado um grande espaço ao financiamento partidário, podia ler-se no jornal Público do passado domingo que a aplicação da lei do financiamento dos partidos, uma lei que ainda tem muitas “fragilidades”, podia ler-se: “partidos cada vez com mais dinheiro e menos fiscalização”. Naquele trabalho jornalístico pedia-se a opinião de algumas figuras públicas sobre a eventual ligação entre o financiamento partidário e a investigação em curso “Face Oculta”. Relevem-se estas palavras de Joe Berardo: “acho que o processo Face Oculta tem a ver com o financiamento partidário. Houve tanto dinheiro investido nas últimas campanhas eleitorais que ele tem de vir de algum lado”.

Como “isto anda tudo ligado”, vale a pena olhar para o que o relatório anual da Transparency Internacional (“uma das principais organizações no apuramento da percepção de níveis de corrupção em todo o mundo”), publicado ontem diz sobre Portugal: os partidos políticos são vistos como “as instituições mais corruptas”. Seguem-se-lhe os funcionários públicos, o parlamento, as empresas do sector privado, o poder judicial e no fim a comunicação social. Refira-se que, entre 180 países, Portugal ocupa a 32ª posição.

e se houvesse (já) regionalização?

Os últimos números do Instituto de Estatística sobre desemprego em Portugal são tremendos quando se fala em desemprego. De facto, os dados relativos ao terceiro trimestre dizem-nos que “dos 89 mil jovens portugueses até 25 anos de idade e desempregados vivem no norte”. Mais: a região tem o maior número de desempregados com o ensino superior completo. E o pior de tudo é que se o desemprego continuar a agravar-se em todo o país “é a norte que a situação se mostra mais preocupante”.
foto: http://www.agal-gz.org
O assunto é sério. Muito sério e preocupante! E exige atenção. E acção. De toda a gente. Mesmo daqueles que pensam que o país só existe mais para sul.

está pesada a noite

A rua não é sítio onde se more e é uma vergonha social não conseguirmos dar a volta a isto, escreveu Manuel Halpern no JL (4 a 17 de novembro). Não podia estar mais de acordo. Deve ser por isso que fico com insónia de cada vez que saio à rua em Guimarães nos últimos tempos. Anda penosa a noite vimaranense. E cheia de vazios.

do céu ao inferno

Segundo os últimos estudos de opinião Cavaco Silva é o presidente “com menor popularidade de sempre. O jornal Expresso de há duas semanas fazia até um título apocalíptico: “Cavaco passou do céu ao inferno”. Curiosamente na mesma edição daquele semanário podia ler-se que Manuel Alegre “vai participar, até ao Natal, em vários jantares promovidos por apoiantes da sua candidatura às presidenciais em 2006”.

foto http://forum.trasosmontes.com
A mim parece-me que há aspectos interessantes a reter nestas duas notícias. Não só porque considero que é mais do que justo que Manuel Alegre fique na história portuguesa de forma mais vincada, mas porque se estivermos minimamente atentos (ainda que não queiramos olhar para a política), temos um presidente da República que não está bem naquela função. Basta olhar para as suas intervenções nos últimos tempos.

é melhor prevenir que evocar

O actual governo decidiu voltar atrás numa decisão que o governo anterior havia tomado e vai reactivar a Brigada de Trânsito já no próximo ano. É uma forma de travar o aumento assustador da sinistralidade. E faz bem rectificar o que fez mal antes.

Na verdade, desde que a GNR deixou de ter aquela unidade dedicada às questões da circulação rodoviária no nosso país a realidade – a triste e dramática realidade! –, não deixa ninguém indiferente. Aumentaram os acidentes. Diminuíram os actos de fiscalização (desde de janeiro deste ano que foram passadas menos 118 mil multas). E deixou de ser feita a especialização dos agentes da Guarda. Estes números e estas realidades constam de um estudo divulgado pelo Ministério da Administração Interna. Foram eles que fizeram o governo mudar de rumo. Ainda bem.

Também se aprende com os erros. Mas, mais do que aprender, é bom deixar de se ser hipócrita. Isto é, o mesmo governo que diminui a fiscalização rodoviária não pode fazer celebrações de dias de memória. Pelas mortes na estrada.

prisão de ouro

Um homem de Atães – pelos vistos, violento a sério, para com a sua companheira –, foi presente ao Juiz de Instrução Criminal do Tribunal de Guimarães depois de ter sido detido pela GNR em pleno acto de violência doméstica. E o homem ficou detido. É assim que diz a lei.

foto: http://pt.wikipedia.org/wik

Não dá para entender é que tenha sido em prisão domiciliária. A não ser que a sua companheira tenha resolvido sair de casa!

ecos do papel

O país não pode viver sob escuta permanente (Henrique Monteiro, Expresso 09.11.14) – Têm desaparecido algumas placas, de facto, mas ainda falta a paragem e o olhar para que o comboio não desfaça alguém. Mas que estamos a perder a viagem do futuro, estamos, sim senhor!, e isso é muito perigoso.

O novo meio de ‘justiça popular’ (…) já não é o pelourinho mas a página no jornal, a peça na televisão, na rádio ou na internet, escreve Helena Garrido no Jornal de Negócios de 09.11.12 – É a evolução dos tempos. Mesmo que a maldade seja a mesma.

Segundo o Expresso a “CGTP tenta esvaziar conferência sindical. A corrente comunista convenceu quatro centrais a não participarem numa iniciativa da minoria. Em reacção, o hotel encheu-se” – É dos livros, religiosos ou políticos, que o fruto proibido é o mais apetecido. Cá se fazem, cá se pagam! Afinal ainda há estalinismo por aí à solta. Pelo menos a julgar pela acção de uma certa intersindical.

O deputado laranja Emídio Guerreio, na sua (nova) coluna no semanário O Povo de Guimarães (de 09.11.13) escreveu: “Portugal precisa desesperadamente que os jovens que estão nas escolas aprendam mais e melhor. Precisa que aprendam hábitos de trabalho e de rigor” – Completamente de acordo. Nisso, todos somos culpados, não somos?

olhar citadino

Por causa de umas nuvens negras que chegam a Guimarães vindas de Viseu, o rei, o maior e o mais antigo vimaranense, passou a pôr-se à defesa. Agora está sempre com o olho de lado para ver de onde virão mais ataques. Mas não tem tanta beleza assim, pois não?

olhar da semana

A suspeita é hoje um cancro que corrói a democracia, e a Justiça, um dos seus pilares fundamentais, deveria estar acima de qualquer suspeita.
Manuel António Pina, Jornal de Noticias, 09.11.12

frases da semana

local
Os deputados municipais têm obrigação de contactar com frequência com a população, de estreitar relações com a sociedade civil, com os seus representantes, com as associações, com as empresas, com a universidade, com as escolas.
Carlos Vasconcelos, Noticias de Guimarães 09.11.13

nacional
Eu próprio me questiono se votaria num cidadão condenado.
Isaltino Morais, Pública 09.11.15

global
Não é aceitável que os lucros do êxito no sector financeiro sejam para uns poucos, mas os custos sejam para todos.
Gordon Brown, in Única 09.11.14

despir a roupagem da ilusão

Possuis apenas aquilo que não perderás com a morte; tudo o mais é ilusão.
Autor desconhecido

não me apetece olhar as árvores

Ali, no meio o campo escuro de onde tu partias para as traquinices que te davam a marca da diferença renasce o ruído. O mesmo ruído de sempre, aquele estúpido ladrão dos nossos prazeres ocultos e das nossas tradições tão desejadas.
- Não quero continuar mais esta solidão.
Ali, no meio do campo que tão bem conhecemos e de onde brotam aos céus os dois eucaliptos que nos suportam as memórias há um rectângulo de luz incapaz de se desfazer sem a autorização da nossa presença.


- Não me apetece olhar mais para as árvores. Fico triste com a sua nudez rude.