JÁ assinei. E todos nós, os que nos sentimos à margem de tantas e tantas coisas que só acontecem em Lisboa, o devíamos fazer. Afinal, a televisão de Portugal só vê (e só mostra) o que lhe interessa. E o que quer!
Quinta-feira, 17 de Julho de 2008
a rtp também é nossa
Quarta-feira, 16 de Julho de 2008
silêncios e riquezas verdadeiras
A Igreja só pode ter futuro, cumprindo o núcleo da sua missão: manter a pergunta acesa e activa a compaixão.
Anselmo Borges, Diário de Notícias, 08.07.12
1. O silêncio que fazem todas as coisas quando nos olham nos olhos (e nós que nem sequer lhe devolvemos o olhar!) é um silêncio triste, mas é através dele que nos inserimos completamente na normalidade. Uma normalidade desacertada por certos relógios que gostamos de exibir, é certo, mas uma normalidade que nos faz correr no meio dos ruídos. E o silêncio, sempre atento, discreto e malandreco, olha-nos (tantas vezes) agita-se numa flor azulada que cai sobre os nossos olhos.
2. O cardeal Carlo Martini escreveu um livro. De memórias. E mágoas. Aos 81 anos, o cardeal que chegou a ser apontado como futuro papa, parece ter ganho uma nova coragem. Diferente da que não foi capaz de exibir antes. E escreveu que, de entre os pecados da igreja – da sua igreja católica –, a vaidade e a calúnia são os mais dominadores. Basta atentar nestas palavras:"que grande é a vaidade na Igreja! Vê-se nos hábitos. Antes, os cardeais exibiam capas de seis metros de cauda de seda. A Igreja reveste-se continuamente de ornamentos inúteis".
3. Anselmo Borges, no sábado passado, na sua crónica habitual no Diário de Noticias, escreveu que “quando se pensa nas transformações do mundo moderno, percebe-se quanto será necessário, sem perder o núcleo da sua mensagem, a Igreja mudar”.
4. De repente, vem-me à memória uma história (verdadeira) passada há já alguns anos: um jovem, acabado de ordenar sacerdote católico, foi colocado numa freguesia (paróquia) pequena. Que, pelos vistos, lhe rendia (financeiramente) pouco. O pai, preocupado com o futuro do seu filho, foi até à sede da diocese e pediu para que o seu descendente fosse deslocado para outra terra. E o novo padre mudou. Para uma paróquia bem maior. Pelo menos em habitantes é! O homem, ao que vou ouvindo, está bem de vida! A paróquia é que, parece, tem um pastor pouco afeiçoado. Mas exigente nas contas.
5. Por que há tantos silêncios à volta das coisas que nos vão olhando (e, por que não dizê-lo?, ferindo) nos olhos?
Terça-feira, 15 de Julho de 2008
realidade a nu
AFINAL, a base militar que os Estados Unidos administram em Cuba, mais concretamente em Guantanamo, é local de tortura. Para além de ser o local onde muitas outras atrocidades vão sendo escondidas. Já se sabia, com maior ou menor confirmação. Só que desta vez, os advogados de um cidadão canadiano que havia sido preso aos 16 anos, conseguiram trazer cá para fora essa realidade. E divulgaram um vídeo, feito por uma câmara escondida, onde o jovem canadiano aparece a suplicar ajuda.
Da prisão de alta segurança de Guantanamo e da chegada até si de pessoas prisioneiras – atravessando sem autorização céus pacíficos –, já sabíamos muitas coisas. Pode ser que agora, estas imagens agitem ainda mais a indignação contra uma cruel realidade controlada por um país que se arvora em ser líder das liberdades.
Segunda-feira, 14 de Julho de 2008
mudança certa II
Afinal, “uma cidade que caminha a passos cada vez mais largos e seguros em direcção ao futuro, não se pode ficar com as animações de aldeia que, em cada momento de Gualterianas, fazem de Guimarães uma cidade de província”.
Mas, de repente e pelo (não) andar da carruagem, desperta-me uma dúvida: será que depois das festas, haverá muita gente a lembrar-se delas e, portanto, contente com o arrumar da confusão, ou serão cada vez menos aqueles que vêm (de fora e com as suas animações) excitar o cantinho das Hortas?
Domingo, 13 de Julho de 2008
olhares da semana
A Associação para o Desenvolvimento Económico e Social (SEDES) é uma das mais antigas colectividades cívicas portuguesas. Da sua prática corrente é tradição, de vez em quando, alertar o país para aquilo que, no entender dos seus dirigentes está mal ou menos bem. Normalmente, os reparos da SEDES funcionam como autênticos abanões nas apatias instaladas. E isso, sejamos realistas, é bom. Porque faz acordar comodismos. E o estado da nação, como é óbvio, ressente-se disso. Seja em momentos em que os governos se esforçam pela “estabilização orçamental”, seja nas “várias reformas que exigiram coragem política”, seja ainda quando os calendários eleitorais ‘alargam’ certas medias.
A verdade é que na SEDES ou noutra associação qualquer, as suas acções públicas reflectem e muito a forma de pensar e de agir de quem, momentaneamente, está à frente dos seus destinos. E, fica-se com a impressão de que nos últimos tempos da rua Duque de Palmela, em Lisboa, têm saído muitas dores de cotovelo, e algumas raivas incontidas. E, parece que a coisa ficou mais refinada depois da primeira remodelação a que Sócrates procedeu no seu governo.
frases da semana
O futebol é, neste momento, em Portugal, uma versão ‘hardcore’ da actividade política.
Fernando Sobral, Jornal de Negócios, 08.07.11
local
O espectáculo desportivo já não é desporto, a não ser nas quatro linhas, em que as equipas praticam desporto e dão espectáculo.
Silvestre Barreira, O Povo de Guimarães, 08.07.11
Sábado, 12 de Julho de 2008
cinza nos claustros
E foi. A loucura saudável (mais uma) cometida pela Oficina em levar o Sermão de Quarta-feira de Cinza aos claustros do museu de Alberto Sampaio foi assim uma espécie de síncope com a realidade exterior. E isso tira-nos da rotina. E levam-nos para patamares bem mais atraentes. E que nos obrigam a pensar.
jogos de sedução
NA parábola urbana de um homem
só a obra avança
em ondas quentes com marcas
de guerras por um corpo
esbelto. Puros jogos de sedução!
Grão a grão
a hilaridade fecunda uma mulher
apaga o território hostil
da paixão pelo fogo. Com um homem
só o esplendor do corpo acicata
sabores de actores frustrados
E a obra avança
nos conflitos gerados
na doce traição da alma
onde a mulher surge!


